A comunidade utiliza estas terras para uma grande diversidade de usos e atividades, desde a coleta de material vegetal para aquecimento e para a "cama" dos animais (que depois serve de fertilizante para as hortas); a recolha de madeira ou pedra; a apanha de cogumelos, castanhas, frutos silvestres, plantas aromáticas ou medicinais; a produção de mel; a caça e a pesca nos seus rios e corgos, entre muitas outras.
Ecologicamente, ao contrário das monoculturas, os baldios mantêm o mosaico da paisagem, preservando espécies vegetais nativas e habitats para a fauna selvagem. A gestão comunitária do território em regime agro-silvo-pastoril respeita os ciclos naturais, evitando a erosão do solo e protegendo as nascentes de água que abastecem as aldeias. Através da preservação de florestas nativas, dos seus lameiros e da gestão sustentável, os baldios atuam como sumidouros de carbono e ajudam na resiliência climática do território rural.
Os Baldios têm sofrido vários ataques ao longo dos tempos. O primeiro data do século XIV, com a Lei das Sesmarias, promulgada em 1375, durante o reinado de D. Fernando I, criada para forçar a exploração da terra. A lei determinava que quem não cultivasse a terra de forma produtiva (segundo a visão da Coroa) poderia perder a sua posse.
Com a chegada do liberalismo e a modernização do Estado no século XIX, retomou a pressão para “produtivizar” a terra. O Estado e a burguesia da época passaram a ver os baldios como “terrenos incultos” ou desperdiçados, pois não eram explorados para agricultura intensiva ou florestação comercial. Deram-se assim tentativas de privatização e a apropriação de terras comunitárias, mudando-se lentamente a perceção do baldio de “suporte da economia rural” para “terreno abandonado”.
Ecologicamente, ao contrário das monoculturas, os baldios mantêm o mosaico da paisagem, preservando espécies vegetais nativas e habitats para a fauna selvagem. A gestão comunitária do território em regime agro-silvo-pastoril respeita os ciclos naturais, evitando a erosão do solo e protegendo as nascentes de água que abastecem as aldeias. Através da preservação de florestas nativas, dos seus lameiros e da gestão sustentável, os baldios atuam como sumidouros de carbono e ajudam na resiliência climática do território rural.
Os Baldios têm sofrido vários ataques ao longo dos tempos. O primeiro data do século XIV, com a Lei das Sesmarias, promulgada em 1375, durante o reinado de D. Fernando I, criada para forçar a exploração da terra. A lei determinava que quem não cultivasse a terra de forma produtiva (segundo a visão da Coroa) poderia perder a sua posse.
Com a chegada do liberalismo e a modernização do Estado no século XIX, retomou a pressão para “produtivizar” a terra. O Estado e a burguesia da época passaram a ver os baldios como “terrenos incultos” ou desperdiçados, pois não eram explorados para agricultura intensiva ou florestação comercial. Deram-se assim tentativas de privatização e a apropriação de terras comunitárias, mudando-se lentamente a perceção do baldio de “suporte da economia rural” para “terreno abandonado”.
Durante a ditadura houve um novo ciclo de ataque aos baldios. Entre 1936–60, o Barroso assistiu à tentativa falhada de implementação de uma nova unidade social, no âmbito da Junta de Colonização Interna do regime fascista. O objetivo era transformar a relação com a terra para aumentar a produtividade, privilegiar a família nuclear e a propriedade privada em vez da comunidade e dos baldios, e regular as crenças espirituais e os saberes reprodutivos locais.
Objetivos semelhantes teve o Plano de Povoamento Florestal de 1938, que forçou a conversão de baldios em florestas industriais de pinhal, desenraizando as populações da sua relação comunitária com a terra e contribuindo para a sua conversão forçada em força proletária.
Este processo gerou décadas de resistência nas regiões do Norte e Centro. O livro Quando os Lobos Uivam, de Aquilino Ribeiro, faz um retrato da resistência da população. Para Covas do Barroso foi destacado um guarda que vigiava os usos do território. A comunidade foi forçada a vender as suas ovelhas e cabras, que deixaram de poder usar os baldios.
A Revolução de 1974 foi o ponto de viragem. Com a democratização, houve um movimento forte de devolução da terra ao povo. A Lei 39/76 veio reconhecer a natureza jurídica dos baldios. A Constituição da República Portuguesa consagrou os baldios como meios de produção comunitários, possuídos e geridos por comunidades locais. No entanto, os baldios ainda não são devidamente reconhecidos.
Nas últimas décadas, têm havido inúmeras tentativas legislativas de alterar este regime, com vista a facilitar a privatização do território. O processo em curso para instalar uma mina de lítio nos Baldios de Covas do Barroso é o mais recente ataque a estes territórios, reconhecidos pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) como Património Agrícola Mundial.
Objetivos semelhantes teve o Plano de Povoamento Florestal de 1938, que forçou a conversão de baldios em florestas industriais de pinhal, desenraizando as populações da sua relação comunitária com a terra e contribuindo para a sua conversão forçada em força proletária.
Este processo gerou décadas de resistência nas regiões do Norte e Centro. O livro Quando os Lobos Uivam, de Aquilino Ribeiro, faz um retrato da resistência da população. Para Covas do Barroso foi destacado um guarda que vigiava os usos do território. A comunidade foi forçada a vender as suas ovelhas e cabras, que deixaram de poder usar os baldios.
A Revolução de 1974 foi o ponto de viragem. Com a democratização, houve um movimento forte de devolução da terra ao povo. A Lei 39/76 veio reconhecer a natureza jurídica dos baldios. A Constituição da República Portuguesa consagrou os baldios como meios de produção comunitários, possuídos e geridos por comunidades locais. No entanto, os baldios ainda não são devidamente reconhecidos.
Nas últimas décadas, têm havido inúmeras tentativas legislativas de alterar este regime, com vista a facilitar a privatização do território. O processo em curso para instalar uma mina de lítio nos Baldios de Covas do Barroso é o mais recente ataque a estes territórios, reconhecidos pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) como Património Agrícola Mundial.
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